Paciência e mão leve.
- Carolina Huck
- 23 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 6 de mai. de 2025

Você já ouviu aquela expressão: “Para quem só conhece martelo, todo problema é prego”?
Ela fala sobre o risco de reagirmos sempre da mesma forma, independentemente do contexto. Ou seja, quando a gente só tem uma ferramenta emocional ou comportamental à disposição, tendemos a enxergar tudo sob a mesma lente — e a lidar com as situações de maneira repetitiva, muitas vezes ineficaz.
Um problema travado (e uma lição inesperada)
Esses tempos, no meu local de trabalho, a fechadura da porta começou a apresentar defeitos. Vira e mexe, a gente ficava presa do lado de dentro. Teve um dia, inclusive, que precisei sair pela janela — sim, literalmente! rs
Mas algo me chamava atenção: uma colega, a Ivonete, sempre conseguia abrir a porta, sem estresse. Enquanto isso, eu já ia com o coração acelerado só de imaginar a saga. Um dia, cansada da luta diária, pedi ajuda:
— Ivonete, me ensina o segredo? Como tu consegue abrir essa porta sem drama?
Lá fomos nós. Eu tentando, ela supervisionando. Tentei uma, duas, três vezes… já bufando de raiva, e ela rindo com a maior calma. Foi então que me disse:
— Carol, o segredo é paciência e mão leve.
Na hora, comecei a rir. Porque eu não estava com nenhum dos dois. E entendi que aquele conselho simples valia muito mais do que só para abrir portas emperradas.
Nem todo desafio se resolve com força
Desde pequena, eu escuto adjetivos como: afobada, furacão, trator… rs. Sempre fui intensa, direta, resolutiva. A Carolina “diretora”, como a família brinca. Não sou exatamente conhecida pela leveza ou paciência — e por muito tempo, isso foi a minha principal estratégia de ação no mundo.
Só que nem todos os problemas são pregos. E nem tudo se resolve com martelo.
Já vinha percebendo isso antes mesmo da Ivonete verbalizar. A vida começou a me apresentar desafios diferentes, que exigiam outros modos de agir, de escutar, de esperar. E eu comecei a entender que não adianta usar força quando o momento pede presença. Que não adianta tentar resolver tudo com pressa, quando o contexto pede escuta, delicadeza ou pausa.
Isso não invalida a força, a coragem ou a assertividade. Elas continuam sendo ferramentas preciosas — no momento certo. Mas quando a gente tenta usá-las em qualquer situação, sem avaliar o contexto, acaba, sem querer, tornando tudo mais difícil.
Expandir o repertório
Ter paciência e mão leve também é uma forma de força. É um tipo diferente de potência. Uma que não grita, mas sustenta. Uma que não empurra, mas acolhe.
E talvez a psicoterapia seja justamente esse espaço: onde a gente aprende que pode ter mais de uma ferramenta. Que pode construir uma “caixinha de ferramentas internas” mais ampla, mais flexível. Que pode ser furacão quando precisa — mas também pode ser brisa.
E você? Também já se deu conta de que às vezes insiste em usar o martelo, mesmo quando a situação pede outra ferramenta?
Um beijo carinhoso e até breve, Carolina.









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