Flexibilidade psicológica na prática: uma história simples sobre um desafio real
- Carolina Huck
- 19 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

No último fim de semana, vivi uma experiência totalmente nova: patinar no gelo.
Antes de entrar na pista, o Nu’maan, meu marido, me perguntou se eu queria assistir a um vídeo com instruções. Respondi que não — preferia aprender fazendo. Essa resposta diz muito sobre mim e sobre algo que observo na clínica diariamente: quando nos colocamos diante do desconhecido, não é apenas o corpo que precisa se adaptar, mas principalmente, a mente.
Nos primeiros minutos, mal consegui ficar em pé. O medo apareceu rápido, acompanhado de pensamentos automáticos como:“Por que achei que isso era uma boa ideia?” “Quanto tempo falta para acabar?”
Esse é o ponto crítico onde muitos de nós desistimos: quando o desconforto se apresenta e o julgamento interno ganha força. Mas, à medida que o pânico inicial foi diminuindo, comecei a experimentar pequenos movimentos — primeiro segurando nas barras laterais, depois, aos poucos, encontrando meu próprio ritmo.
Em determinado momento, lá estava eu completando minha primeira volta inteira.
Olhei ao redor e vi pessoas caindo… e quase caí também. Precisei me lembrar:“Concentre-se no seu próprio caminho.”
Essa vivência simples reforçou algo central na psicoterapia: o aprendizado ocorre quando atravessamos o desconforto, não quando o evitamos. Flexibilidade psicológica não é ausência de medo — é a capacidade de seguir adiante com o que é importante, mesmo quando o medo aparece.
Vejo isso todos os dias no acompanhamento de brasileiros vivendo fora do país. O processo de expatriação traz exatamente esse tipo de desafio: o desconhecido, o não saber, o se sentir exposto, inseguro, deslocado. Muitas vezes, a cultura nova, a língua, o clima, as relações sociais, o trabalho e a distância da família colocam as pessoas diante de pistas de gelo internas — escorregadias, instáveis e repletas de incertezas.
No começo, o medo pode paralisar:“E se eu fracassar?”“E se não der certo?”“E se eu não pertencer a lugar nenhum?”
Mas, quando atravessamos essa fase — quando abrimos espaço para o desconforto sem fugir dele — algo importante acontece: autonomia cresce, confiança se expande e a vida volta a se mover na direção de valores pessoais, não de medos.
Flexibilidade psicológica é isso: sustentar a tensão entre desconforto e coragem, permitindo que a experiência seja o que é, enquanto seguimos em direção ao que importa.
E você? Consegue identificar uma área da sua vida em que o medo de cair tem impedido você de dar a primeira volta? O que poderia acontecer se, em vez de evitar essa pista, você se permitisse aprender patinando?
Se esse tema faz sentido para você — especialmente se está vivendo fora do Brasil e tem sentido medo, insegurança ou bloqueio diante das mudanças — saiba que a psicoterapia pode ser um espaço seguro para desenvolver essa flexibilidade e seguir avançando, mesmo entre deslizes.









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