top of page

As marcas fazem parte

  • Foto do escritor: Carolina Huck
    Carolina Huck
  • 23 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 6 de mai. de 2025


Olá! Seguindo com essa proposta de falar da vida como ela é, quero compartilhar uma cena simples que vivi esses dias, mas que me deixou pensando...


Chamei um eletricista para consertar algo aqui em casa. Quando ele terminou o serviço, me chamou e disse que o problema estava resolvido — mas que houve um imprevisto. Ao retirar o interruptor da parede, parte do concreto veio junto. Ele prometeu voltar na semana seguinte para arrumar.

E assim fez. Hoje, ele terminou o conserto. No entanto, ficaram marcas visíveis na parede. Foi quando ele me perguntou, com bastante gentileza, se eu gostaria que ele chamasse um pintor, para deixar tudo “imperceptível”.

Sem pensar muito, respondi:— Não precisa… as marcas fazem parte.

Ele foi embora, mas a frase ficou. As marcas fazem parte.


O que as marcas contam?

Essa pequena cena cotidiana me fez refletir sobre o quanto tentamos, muitas vezes, esconder as marcas que a vida nos deixa. As da parede, as do corpo, as da alma. Rugas, cicatrizes, estrias, manchas… E também aquelas marcas invisíveis: decepções, perdas, recomeços, mudanças.

Em nome de quê desejamos apagá-las?

Será que é porque associamos as marcas ao erro, à imperfeição, àquilo que precisa ser consertado? Será que estamos sempre tentando voltar ao “estado original”, como se aquilo que vivemos não tivesse valor ou beleza?


As marcas como testemunho de vida

A verdade é que as marcas contam histórias. Elas registram nossas experiências. Falam dos lugares por onde passamos, das batalhas que enfrentamos, das fases que superamos.

O tempo marca. A maternidade marca. As alegrias, as dores, os vínculos, os rompimentos... tudo deixa sua impressão.

E tudo isso faz parte da nossa construção como pessoas. Tentar esconder as marcas pode ser, às vezes, uma tentativa de negar a própria história.

Isso não quer dizer que não possamos cuidar de nós, buscar conforto ou bem-estar. Mas talvez a questão seja: será que conseguimos olhar para as nossas marcas com respeito? Com compaixão? Com acolhimento?


E você?

Como lida com as suas marcas?

Talvez seja tempo de repensar o quanto de energia colocamos em escondê-las — quando poderíamos estar escutando o que elas nos contam.

Porque sim, as marcas fazem parte. E talvez, em vez de escondê-las, possamos aprender a honrá-las.

Um abraço carinhoso, Carolina 🌿

Psicóloga clínica e professora universitária

Comentários


© 2025 por Psicóloga Carolina Huck  CRP12/10442

  • Whatsapp
  • Youtube
  • Instagram
  • LinkedIn
bottom of page