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Quem sou eu?

  • Foto do escritor: Carolina Huck
    Carolina Huck
  • 22 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 24 de out. de 2025

🧠 A busca pelo “Quem sou eu?” Da alma à mente: a jornada do autoconhecimento desde a Grécia Antiga
Da alma à mente: a jornada do autoconhecimento desde a Grécia Antiga.

Desde que o ser humano começou a refletir sobre si mesmo, uma pergunta atravessa séculos, civilizações e tradições: Quem sou eu?

Essa inquietação é o ponto de partida não apenas da Filosofia, mas também da Psicologia — que, originalmente, nasceu como um ramo filosófico. Antes de ser ciência, a Psicologia foi uma busca pela compreensão da alma (ou “psique”, em grego), considerada o princípio vital, o “sopro de vida” que dá sentido à existência humana.

Mas essa ideia de “alma” mudou muitas vezes ao longo da história. Para entender o que hoje chamamos de mente, precisamos voltar ao início, à Grécia Antiga — onde nasceram as primeiras tentativas de compreender o homem e o mundo pela razão.


🏛 Sócrates: o convite ao autoconhecimento

Conhece-te a ti mesmo” — essa frase, inscrita no Templo de Delfos e retomada por Sócrates, marcou o nascimento de uma nova forma de pensar. Para ele, a verdade não estava mais nas estrelas ou nos mitos, mas dentro de cada ser humano. O homem seria capaz de alcançar o conhecimento verdadeiro por meio da razão e da reflexão sobre si mesmo.

A alma, nessa visão, é o que há de mais essencial em nós — é aquilo que pensa, sente e escolhe. Conhecer a si mesmo é, portanto, um caminho para cuidar da própria alma. A partir dessa virada, o foco da Filosofia passa da natureza (physis) para o ser humano.

Sócrates inaugura a ideia de que o conhecimento mais profundo é aquele que nasce da consciência de si. Essa mesma consciência será, mais tarde, a base daquilo que a Psicologia buscará compreender.


🌌 Platão: o mundo das ideias e a alma tripartida

Discípulo de Sócrates, Platão amplia a noção de alma. Para ele, ela não é apenas o princípio da vida, mas o centro do conhecimento.A alma é eterna e pertence ao Mundo das Ideias — um plano imutável e verdadeiro, diferente do mundo material, que é imperfeito e passageiro.

Platão descreve a alma em três partes:

  1. Apetitiva — ligada aos desejos e prazeres (situada no ventre);

  2. Irascível — relacionada às emoções, como coragem e raiva (no tórax);

  3. Racional — que busca a verdade e governa as demais (na cabeça).

A harmonia entre essas três partes é a justiça interior — o equilíbrio entre razão, emoção e desejo.

Platão via, portanto, o ser humano como dividido entre o corpo (mundo sensível) e a alma (mundo das ideias). E o desafio ético da vida seria ordenar as paixões sob a luz da razão.


🌿 Aristóteles: corpo e alma como um só

O pensamento de Aristóteles, discípulo de Platão, traz uma reviravolta. Para ele, corpo e alma não são entidades separadas, mas aspectos de um mesmo ser. A alma é “a forma do corpo” — aquilo que o faz viver, perceber e pensar.

Enquanto Platão acreditava que o conhecimento vinha do mundo das ideias, Aristóteles defendia que a verdade pode ser descoberta na experiência sensível. A realidade está no mundo concreto, acessível pelos sentidos, e é a partir dela que a razão constrói o saber.

Com Aristóteles, nasce uma concepção mais integrada do ser humano — um ser ao mesmo tempo racional, sensível e natural. É essa visão que influenciará, séculos depois, as ciências empíricas e o modo como passamos a investigar a mente de forma observável.


🔍 Da alma à mente

Em Sócrates, Platão e Aristóteles encontramos as três grandes raízes do pensamento ocidental sobre a mente:

  • o autoconhecimento, como caminho de verdade;

  • a alma racional, que busca o bem e a sabedoria;

  • e a unidade corpo–mente, como expressão da vida.

Essas ideias moldaram o pensamento ocidental e serviram de base para tudo o que viria depois — dos filósofos modernos à Psicologia científica. E embora tenhamos trocado o termo alma por mente ou consciência, a pergunta permanece viva:O que há dentro do ser humano que o torna consciente de si?


Para refletir

  • Quando você se pergunta “quem sou eu?”, a resposta vem mais do que sente, do que pensa, ou do que faz?

  • É possível conhecer a si mesmo sem entrar em contato com a própria alma — ou mente?

  • A consciência é algo que descobrimos ou algo que construímos?


Referências bibliográficas

ARISTÓTELES. Da alma (De Anima). Tradução de A. M. Lóio; revisão científica de T. C. Martinez. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2010.

PLATÃO. A República. Tradução de E. Corvisieri. Rio de Janeiro: Editora Best Seller, 2002.

PLATÃO. Fédon: diálogo sobre a alma e a morte de Sócrates. São Paulo: Martins Claudet, 2009.

HEIDEGGER, M. Ser e tempo: partes I e II. Tradução de M. S. C. Schuback. Petrópolis: Vozes, 2002.

COLLINSON, D. 50 grandes filósofos. São Paulo: Contexto, 2006.

FIGUEIREDO, L. C. M. A invenção do psicológico: quatro séculos de subjetivação (1500–1900). São Paulo: Escuta, 1994.

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© 2025 por Psicóloga Carolina Huck  CRP12/10442

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